Mazzarolo Anghinoni

VIDA: Sentimentos e Poesia

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CRÔNICA (013) - A Parteira e o Pé de Mamona
Lá em Antônio Prado- RS, a cidade mais italiana do Brasil, todo mundo sabia quem era Dona Genoveva Angeretti Anghinoni, mais conhecida como Tia Genoveva.
Minha tia e parteira tradicional, parte milagreira, parte rádio comunitária, porque sabia da vida de todo mundo antes mesmo da própria pessoa descobrir.
Certa vez, Tia Genoveva foi chamada às pressas. Dona Angelina Anghinoni, estava “de parir”, como se dizia por lá, e o marido, seu Luiz, apareceu em cima de uma mula preta, gritando: “Tia Genoveva, Tia Genoveva, venha que o neném tá querendo sair pelo umbigo!”
Ela catou o bornal, a garrafa térmica com chá de boldo (porque vai que é gases!) e foi.
Chegou, lavou as mãos com sabão de cinza, acalmou a mãe, botou um pano na testa da grávida e disse: “Vai nascer calminho, igual jia no sol.”
Nasceu. Um menino rechonchudo, com o umbigo torto que depois disseram que era charme.
E o nome? Foi ela quem escolheu: João Justino, “porque nasceu no bem e no início do dia”.
Tia Genoveva foi embora com uma dúzia de ovos, um pedaço de queijo e uma muda de mamona que ninguém sabe por que ela quis levar.
“Para plantar no quintal, ué. Vai que um dia precisa.”
Naquele canto do Brasil, ninguém dizia “obrigado”. Diziam “Deus lhe pague”. E pagava. Com amor, com respeito e com uns bolos de fubá sempre que podiam.
Porque ser parteira tradicional é isso: é plantar mamona onde os outros só veem mato e ainda fazer nascer gente boa por entre os espinhos.
MAZZAROLO ANGHINONI
Enviado por MAZZAROLO ANGHINONI em 01/11/2025
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