

CRÔNICA (012)- Terapeuta Ocupacional: Brincar Também é Cura
Entre tantas profissões encantadas, havia um ser misterioso chamado terapeuta ocupacional. Não era médico, mas vivia nos hospitais. Não era artista, mas vivia inventando atividades com tinta, massinha, palito de picolé e, às vezes, até meia-velha. Uma figura que entrava sorrindo onde o silêncio reinava, e onde o tédio morava, trazia jogo de memória e um plano terapêutico debaixo do braço.
Conheci um desses heróis. Chamava-se Dona Zefinha, uma senhora de voz mansa, cabelo preso com lápis e um jaleco coberto de bottons coloridos. Era especialista em reabilitar mãos cansadas, corações desmotivados e cérebros em greve. Um dia, vi Dona Zefinha convencer um senhor ranzinza a fazer pintura com os pés. Disse que era para "trabalhar o equilíbrio e a autoestima", mas eu tenho certeza de que era também para garantir boas risadas. Ela transformava atividades banais em instrumentos de cura. Um jogo de tabuleiro virava fisioterapia disfarçada. Cortar papel era treino motor. Fazer brigadeiro se tornava terapia sensorial (e desculpa para comer no final). Era quase mágica só que com canetinhas, cola e um talento fenomenal para enganar o tédio. Outro dia, fui visitar minha prima, que teve um acidente e estava no hospital. Cheguei achando que ia encontrar um quarto triste. Mas estava ela lá, rindo enquanto tentava colocar feijão com uma colher torta dentro de copinhos. Disse que era "atividade de coordenação motora fina", mas jurava que parecia mais um jogo de festa junina. O terapeuta ocupacional é esse artista do cotidiano. Pega um mundo que parou de funcionar e dá um empurrãozinho. Com paciência, criatividade e uma fé danada na força humana, eles costuram dias melhores com linha, agulha, e... muita atividade ocupacional. No dia 19 de maio, e nos demais dias do ano também, se encontrar um terapeuta ocupacional, dê um abraço ou, melhor ainda, proponha uma atividade: uma corrida de colher com bola de gude, quem sabe. Porque se tem alguém que vai transformar isso em algo terapêutico, é ele. Ah, é só uma ideia.
MAZZAROLO ANGHINONI
Enviado por MAZZAROLO ANGHINONI em 01/11/2025
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