

CRÔNICA (027) - Tomando um Café com o QAO
Era uma manhã comum no quartel. Café forte, cheiro de papelada e o som de coturnos ecoando pelos corredores. Sentei-me com o Sargento velho de guerra, agora oficial QAO, e ele começou a falar, sem pedir licença, como quem já tem a sabedoria de quem viu de tudo.
“Meu filho, o Exército não anda sem engrenagem. Tem o General, tem o soldado, mas tem também quem faz a máquina rodar sem aparecer na foto oficial.” Sorriu, apontando para o brasão no peito. “QAO é isso. É fazer bem-feito, mesmo que ninguém veja.” Falou do Tenente Antônio João Ribeiro, “o homem que preferiu morrer a entregar a bandeira.” Disse isso como quem fala de um parente próximo. E talvez seja mesmo: o patrono da carreira de QAO, símbolo máximo de bravura, honra e sacrifício. Sua resistência em 1864, na Batalha do Fortim de Coimbra, marcou para sempre a história do Exército e inspirou gerações a defender a pátria com coragem e integridade. O QAO, sigla para Quadro Auxiliar de Oficiais, nasceu para garantir que cada engrenagem dessa máquina gigante que é o Exército funcione com precisão. São técnicos e especialistas, oficiais que dominam desde a logística até a manutenção, passando por comunicação, engenharia, administração e muitos outros campos que sustentam a tropa. Lembrei das histórias que ele contava, sobre os primeiros QAOs e a importância de valores como disciplina, lealdade, compromisso e ética. “O QAO é a base silenciosa do sucesso. Enquanto a tropa avança, nós asseguramos que nada falhe. Sem nossa entrega, não haveria vitória”, afirmou com voz firme. Falou ainda da importância do espírito de corpo, do trabalho em equipe e da humildade. “Ser QAO é entender que o verdadeiro valor está no coletivo, no que se faz para o outro, para o país, e não no brilho pessoal. É vocação para servir, para fazer o impossível acontecer longe dos holofotes.” A crônica do dia acabou ali, entre um gole de café e um aperto de mão. E naquele instante, entendi que ser QAO é mais do que função: é uma missão de vida, uma missão de honra, que pulsa no peito de quem sabe que a verdadeira glória está em fazer o que precisa ser feito, sempre.
MAZZAROLO ANGHINONI
Enviado por MAZZAROLO ANGHINONI em 25/11/2025
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